
19 agosto 2008
Meu primeiro amor

12 agosto 2008
O tipo ideal

Aquele louro, alto, com certeza, era um dos mais sensíveis, gosta de observar o pôr-do-sol, adora crianças. O moreno, mais baixinho, era tímido demais, mas tinha um charme irresistível, não era? Aquela forma de olhar meio que disfarçada, o sorriso... Aí, pensei, claro, no que eles poderiam observar nas mulheres. Será que dão mais valor aos nossos atributos físicos ou conseguem avaliar nosso conteúdo? Talvez até reparem no ótimo humor, percebam que somos atentas às transformações do mundo globalizado e que a maternidade é mais do que uma vocação em nós. Conclusão de quase uma hora de espera e observação: homens e mulheres escolhem seus pares avaliando características físicas, sociais, emocionais e comportamentais. Tudo! Esses requisitos facilitam a nossa “seleção”.
E os homens, o que procuram em nós? Aí, a coisa se complica. Homens são muito indefinidos em gostos, em requisitos. Em geral, acho que gostam de mulheres com charme e sensualidade, mas nada que beire o vulgar. Isso, eu escuto sempre dos amigos. “Ela não precisa ser bonita, mas tem que ser atraente, envolvente. Menina bonita, em geral, é insossa”. A atração é mais do que um aspecto físico, ela é energia, é você olhar e se sentir impulsionado a beijar, a tocar. As vezes, me espanto ao ouvir isso, ainda mais de grandes “leitores” de revistas masculinas que mostram apenas mulheres “intangíveis”.
Bem, o filme foi ótimo. :)
26 julho 2008
Rêve (Sonho)

Pouco a pouco, foi sendo construído, em mim e nele, algo bom, algo seguro, algo real. E um dia, quando nos demos conta, já estávamos dominados, preenchidos com esse sentimento, sem poder negar que a presença do outro fazia falta. Aí, passamos a nos ver com mais frequência, conversar ainda mais, passera, rir e até beijar. É assim que começa um namoro, mas não é assim que começa o gostar.
Esse, vem de mais longe, de muitos meses e dias antes, quando começamos a nos falar, a nos ver e nos observar. O sentimento é uma junção de fatores, um conjunto de fatos banais e importantes, conjugados aos valores pessoais, inseridos num momento social. Na verdade, apaixonar-se é muito complexo! Diria até, um fato antropológico de suma importância! :)))
14 julho 2008
PARIS!

08 julho 2008
Observando...

07 julho 2008
Estranha essa vida
05 julho 2008
Me podam, mas eu volto!

Mudar....
Carta ao Vicente
Mesmo longe, penso em você.
Inclusive, ontem, durante minha caminhada matinal. Estava no parque de Bechwood, no lado leste de Ottawa, perto do cemitério onde estão enterrados os grandes homens da pátria canadense, quand ouvi os tiros de fuzil. Eram as “honras” militares aos quatro soldados mortos no Afeganistão nos últimos dias.
Meu primeiro pensamento foi em relação à dor das famílias desses bravos homens, que, poucos dias atrás, tinham recebido a visita de um militar de patente superior para informar o falecimento, friamente, trazendo a bandeira nacional e algum pertence militar. Ouvi um apito de trem. E lá vinha o trem, passando ao pôr-do-sol, em frente a sua casa, bem devagar. Lembre-me, então, daquele dia triste.
Sabe, aquele deveria ter sido o meu primeiro velório. Um dia de sol bonito, cedo da manhã, eu o vi, de longe, deitado naquele caixão imenso de madeira esculpida, quieto e calado, em meio aos cravos brancos. Eu sequer me aproximei. Queria guardar a imagem alegre de quando ainda vivia entre nós.
Fazia calor, e sentei-me em um dos bancos da entrada da central de velórios. Dividi o espaço com um casal que chorava, a moça entre os braços do rapaz que tinha os olhos marejados. De lá, do meu canto protegido, percebia quase todos que me rodeavam, que não se entreolhavam, apenas permaneciam de cabeça baixa, mão nos olhos.
A sala parecia mínima, à medida que as pessoas entravam, e o número de visitantes me espantava. Homens que fumavam seus cigarros discutiam política e o futuro do país, e as mulheres se consolavam. Foi difícil permanecer ali, inerte, e não me incomodar com a dor coletiva.
Por fim, decidi a vê-lo, vencer os passos, enfrentar a dor, e acho que foi a melhor decisão. Será uma imagem inesquecível. Seus olhos verdes fixados em mim, sua mão calejada do trabalho de uma vida, passava por sobre minha cabeça. Ouvi, mais uma vez, a história de Dom Ratim. Sorri. Foi assim que te disse adeus, vovô.
Com muito amor,
Sua neta Andrea.
17 minutos

Primeiro, representa a minha terra amada, João Pessoa (Paraíba) - cidade pequena, mas super agradável - onde podemos apreciar um pôr -do-sol na Praia (fluvial) do Jacaré com o "Bolero de Ravel" sendo maravilhosamente tocado por Jurandy do Sax (com mais de mil repetições e título no Guiness Book).
Segundo, porque representa o tempo da espera. Sabem quanto tempo dura a execução do Bolero? 17 minutos. Durante esse tempo, que escutamos a música e observamos o sol descendo no horizonte, percebemos todas as mudanças de cores do céu, o clima de crepúsculo que se aproxima, até um certo tom de depressão pelo fim do dia e a caída da noite. Temos a impressão que o sol apenas obedece o seu curso diário rapidamente, mas se nos determos um pouco ao tempo, à quantidade de tempo necessária, perceberemos o quanto esse curso é "demorado". 17 minutos! Se tivéssemos que esperar isso tudo a nada ver, fazer, escutar, seria uma espera interminável! Cansativa, angustiante, chata.
É exatamente essa a minha impressão até hoje. Essa espera toda estava me cansando. Causando uma ansiedade demasiada, uma tristeza além da conta, uma sensação de impotência. E não poderia me deprimir por causa de algo à toa... não é? Decidi reagir e voltar a minha vida normal. Será que se consegue viver "normalmente" a espera de algo que mudará o curso da sua vida? Tentarei..Resolvi preencher esses "17 minutos" de espera com algo que me alegre, que me anime, que me coloque pra frente e não me arraste para as profundezas da tristeza sem fim antes da hora.
Apaixonar-se

03 julho 2008
Família
Um dos meus quatro pilares de sustentação (os outros três são: meus amores, meu trabalho, meus amigos) e, certamente, o mais importante deles, minha família é minha base, meu exemplo, meu ponto de partida e de chegada. Qualquer desafio que a vida me propõe, é nela que busco a coragem, a força e o apoio. E uma vez conquistado, é para ela que retorno, para a comemoração.E família é algo que carregamos para todo lado. Ela está em nós, intrínseca, representada na educação, na formação, nos valores, nas características físicas e psicológicas. Somos o resultado do que recebemos de nossos pais, misturados ao que fazemos com o que o mundo nos oferece, baseados nos valores apre(e)ndidos em casa. E como esses valores são importantes! Determinam tanta coisa...
Família também é aquela que adotamos. Aquela do grande amigo quase irmão, das amigonas-irmãs, de quem amamos. E não é porque relacionamentos se acabam que acabam os sentimentos e o respeito pela família que também foi um pouco nossa. Poder partilhar das alegrias, decepções e dores é um privilégio que muitos não valorizam. Alguns até rejeitam a sorte. Muitos não se dão conta da maravilha que é ter uma família, com quem contar, desabafar, comemorar. Não é fácil passar pelas dificuldades da vida, mas juntos, pode-se muito!
Pena eu não poder compartilhar das comemorações ao lado da família, aniversários, conquistas, nascimentos e não chorar com eles a perda dos nossos. Mas, acredito e desenvolvo a teoria, de que “estar em família” não é apenas estar presencialmente com eles, pais, irmãos, primos e tios, é também acompanhar de longe, oferecer o ombro a milhares de kilômetros, enviar um sorriso amarelo pela camêra do computador, escrever uma carta. Não é porque não se está “lá” que não se está com eles. Um pensamento, um gesto, uma oração vence montanhas, distância e tempo.
Por isso, não esqueçam das conquistas que fizeram, das maravilhas que a vida proporciona, dos valores apreendidos, e, para aqueles que podem, se voltem para a família bonita que ergueu tudo isso, a base, a origem de todos nós.
02 julho 2008
Os campos santos
Dia nublado de um inverno nada rigoroso no Hemisfério Norte. Uma longa caminhada sobre vinte centímetros de neve me separava do ponto de ônibus. Um vento frio e congelante me tomava por dentro. Uma tristeza, um pesar.Acordada de uma noite não-dormida, fui ao trabalho. E em todo o trajeto, desenhava na neve do lado de fora do ônibus, imagens de uma vida. Vi crianças correndo, a celebração de um casamento, barcos ao largo de um cais, um belo calçadão na praia, luzes quase apagadas numa casa na Avenida Beira-Mar.
Deixe-me ir com meus pensamentos, sempre de olho no percurso que o ônibus tomava, e findei nas lembranças de uma infância perdida, dias dealegria no jardim da casa da tia do coração. Tarde de férias no mês de julho, calor, sorvete que passava na porta, brincadeiras de roda e bola com as vizinhas da rua. Lembrei-me dos dias em que íamos à praia, pegar sol e brincar no mar, construir castelinhos e piscinas na areia molhada da Praia do Futuro.
Temos tempo e meios de viver todas as emoções, de criar e ver crescer cada coisa, cada lugar. Mas, sabemos fazê-lo? Ele era um homem sério, de rosto terno, que vivia na praia. No mar e do mar, viveu seus dias, e passou para nós, o amor por ele. De uns tempos para cá, andava com o apoio de uma bengala para preservar a integridade e lá do alto, enxergava, com seus olhos azuis, tudo o que se passava. Abaixo disso, tinha os olhos fixos nas folhas, cascas e insetos, nenhum mínimo detalhe lhe escapava. Acima, seus finos cabelos brancos impunham ainda mais respeito. Subia e andava devagar, mas avançava.
30 junho 2008
Ciclo terminado
Ontem, estava pensando nas muitas fases de nossas vidas. Como os momentos bons da vida se alternam com os ruins, os dias de um ano. A evolução, o dia-a-dia que vai mudando... 2008 já está chegando ao fim de sua primeira metade (e, portanto, mais perto de acabar), e, como sempre, todos os anos, inevitavelmente, fazemos um balanço do ano. E por que não da vida? E hoje mesmo?
Eu comecei a fazer o meu ontem mesmo. E percebi o quanto nossa vida muda em meses, dias, em fração de segundos. Passamos de um estado de extrema euforia ao choro em questão de segundos! Repassei meus dias, e percebi que depois de cada uma das crises, dos momentos de alegria, paixão ou tristeza profunda que tive, retornei para a calmaria da minha vida, para a paz. Mas, nunca do mesmo jeito, nunca no mesmo "estágio de desenvolvimento" que antes. É o tal do amadurecimento, eu acho. E cada crise, momento ou pensamento era um "click". Estava encerrando ciclos. Lembram daquele texto (bastante difundido na net, escrito por uma colombiana, me parece), "sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver".
Concordo com tudo. O ser humano precisa mesmo aprender a encerrar ciclos, a fechar as portas, apagar as luzes e sair - deixar pra trás, e no passado, aqueles momentos da vida que já se acabaram e insistimos em guardar conosco, em nós.
Tudo na nossa vida vem, age, vive e passa. As coisas passam. Afirmação tácita. Elas passam, minha gente! Mas, o que queremos, nós, mortais? Guardá-las conosco mais uns minutinhos, fazer perdurar o que já nem existe. Conservar aquela camiseta suja só porque tem o cheiro dele - quando o “ele” já se foi e está usando outras camisetas por aí. O melhor que fazemos é deixar que elas realmente possa ir embora, sumir, se dissipar. Por isso, a necessidade de se desapegar das coisas. Por isso, é tão importante (por mais doloroso que seja!) desfazer-se de recordações, mudar a cor da parede, “quebrar” uma decoração e poder colocar uma nova no lugar, ou até mesmo, e radicalmente, mudar de casa, de estado ou de país!
Nosso coração é cheio de coisas. Coisas boas, ruins, recordações, memórias, gestos, cheiros, sentimentos. Algumas dessas “coisas” podem ir, se desprender, sumir. Quando nos desfazemos dessas coisinhas, aquelas que entulham o coração, abrimos espaço para que outras coisas boas tomem o seu lugar.
A mensagem do dia é "se soltar". Desatrelar-se. Deixar irembora. Desprender-se. Podemos viver sem isso ou aquilo, “sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante”. Pense que simplesmente “aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é”.
27 agosto 2006
Se eu soubesse que hoje seria meu último dia sobre a Terra, como eu o passaria?
Aqui, a questão é saber como passar o último dia de sua vida na Terra. Isso significa como ocupar as 24 horas que preenchem esse dia, o seu último. Passado o choque inicial, o de se saber quase um morto, ou desaparecido, afinal, existe vida fora da Terra, começo a listar aquelas coisas impossíveis ditas no páragrafo anterior. Já com uns 5 itens na lista, percebo que não se trata de nada disso. Não estamos falando em tomar o último sorvete de macadâmia da vida, nem andar pela última vez na areia da praia. Não se trata de fazer cerimônias de despedida ou recriar momentos para guardar como lembrança. Trata-se de criar um dia na minha vida, que será o meu último.
Quando acordamos, todos os dias, já temos uma agenda cheia de compromissos, horários, pagamentos, gastos, telefonemas por dar e emails a enviar. Acordamos, mais das vezes, cansados e já angustiados pela certeza de que terminaremos o dia sem conseguir chegar ao fim de tantas obrigações agendadas. Fora o trabalho, temos as vitaminas por tomar, a aula de inglês, a academia, o supermercado. Aprendemos o que é priorizar, mas na vida adulta tudo parece ser urgente e apressado. Tudo é para ontem. E nada pode ficar para amanhã, porque o “amanhã” da agenda já está lotado também, desde hoje.
É aí que me dou conta de como é difícil escolher como passar o dia. Normalmente, ele passa sozinho. Rapidamente, e sem nem notarmos, o sol se foi e a noite caiu. Chegamos no trabalho no comecinho do dia, e sem folga alguma, perdido entre papéis e planilhas, não olhamos sequer uma vez pela janela e perdemos o fenômeno do dia que passa lá fora, até que saímos, e vemos a lua. O dia se foi, projetos concluídos, emails enviados, contratos fechados, aulas dadas. Mas, e daí? O que foi mesmo que fiz por mim hoje? Nada, ou quase nada. O meu dia foi para os outros, pelos outros.
Ë fácil de se convencer de que ele nos foi útil também. Basta pensar que o trabalho enobrece, que o salário me ajuda a contruir uma vida estável, um lar, mordomias. Mas, quantas coisas deixamos de lado por não nos permitirmos olhar pela janela? E se tivéssemos tempo para isso, o faríamos? O ser humano é algo complexo, confuso e contraditório. Nunca temos tempo para as coisas do mundo, e quando temos, não fazemos. E porque temos tempo, reclamamos por não ter como preenchê-lo. E agora, que o último dia chegou, não temos tempo para muita coisa, mas temos o tempo certo para fazer tudo?
Temos, enfim, o poder de escolher o que desejamos fazer, dentre aquelas tantas coisas deixadas para um outro dia. Temos tanto a pensar, que acabamos por não saber o que, de fato, gostaríamos de fazer, ver, sentir hoje. O dia está quase acabando, e eu continuo aqui, pensando em como eu poderia passá-lo. Está quase chegando a hora de ir buscar a roupa na lavanderia, e eu ainda não decidi nada. E quando eu estiver voltando, vou ter que passar uns emails. Talvez depois eu decida algo. Ah, não dá. Tenho que ligar para resolver o problema do projeto. Quem sabe depois, então?
E foi aí que o meu último dia na Terra acabou e eu sequer tinha olhado pela janela.
23 agosto 2006
O que é a vida?

O que é a vida? Um conjunto de fatos, sensações, cores, cheiros e mundos vividos por um ser humano que respira, pensa, vê, age e sente? Ou uma oportunidade para conhecer, aprender, sentir emoções? Em todo caso, é um dom que nos é maravilhosamente dado, dura pouco e merece ser valorizado.
Por isso, é preciso estar atento ao presente da vida, ter a atenção voltada ao hoje, às atitudes, ações, desejos do agora, sem buscar a volta às origens, o passado, o que ficou para trás. A volta representa um procedimento ilusório, uma tentativa de resgate, a recuperação do que ficou em algum lugar onde não estamos mais: uma outra época.
Cada minuto de um dia tem valor. Às vezes, por uma mudança de astral, de clima, menosprezamos um desses minutos que nos foram dados de graça. Deixamos de vivê-lo na sua integralidade, na sua intensidade. E assim, sem querer, deixamos passar o “momento”. De repente, ele até volta a surgir na sua vida, outras vezes, não. Vai-se embora e vai-se para sempre.
O olhar no futuro é fundamental, mas não deve ser estressante. Não deve criar ansiedade, nervosismo, alterações. Se o hoje não é bem vivido, sonhado, sentido, como saber do ar que está por vir? Como prever eventos ou seqüências que dependem do que ainda estamos fazendo? Se não existir o bom de agora, não existirá um maravilhoso depois. A vida deve ser vista sob um olhar sincrônico, observada na sua contemporaneidade, para se entender e viver a evolução.
O importante não é que tal traço ou episódio ou minuto da vida exista, mas que ele exerça (e se saiba reconhecer) uma função precisa. Que ele esteja presente, aqui ou ali, para realizar algo na sua vida. Porque ela é um sistema formado de elementos interdependentes, que não podem ser consideramos isoladamente, nunca. Cada dia, coisa, cheiro, cor e fato exerce uma função vital, tem uma certa tarefa a realizar, representa uma parte insubstituível da totalidade da vida.
