30 junho 2008

Ciclo terminado

Ontem, estava pensando nas muitas fases de nossas vidas. Como os momentos bons da vida se alternam com os ruins, os dias de um ano. A evolução, o dia-a-dia que vai mudando... 2008 já está chegando ao fim de sua primeira metade (e, portanto, mais perto de acabar), e, como sempre, todos os anos, inevitavelmente, fazemos um balanço do ano. E por que não da vida? E hoje mesmo?

Eu comecei a fazer o meu ontem mesmo. E percebi o quanto nossa vida muda em meses, dias, em fração de segundos. Passamos de um estado de extrema euforia ao choro em questão de segundos! Repassei meus dias, e percebi que depois de cada uma das crises, dos momentos de alegria, paixão ou tristeza profunda que tive, retornei para a calmaria da minha vida, para a paz. Mas, nunca do mesmo jeito, nunca no mesmo "estágio de desenvolvimento" que antes. É o tal do amadurecimento, eu acho. E cada crise, momento ou pensamento era um "click". Estava encerrando ciclos. Lembram daquele texto (bastante difundido na net, escrito por uma colombiana, me parece), "sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver".

Concordo com tudo. O ser humano precisa mesmo aprender a encerrar ciclos, a fechar as portas, apagar as luzes e sair - deixar pra trás, e no passado, aqueles momentos da vida que já se acabaram e insistimos em guardar conosco, em nós.

Tudo na nossa vida vem, age, vive e passa. As coisas passam. Afirmação tácita. Elas passam, minha gente! Mas, o que queremos, nós, mortais? Guardá-las conosco mais uns minutinhos, fazer perdurar o que já nem existe. Conservar aquela camiseta suja só porque tem o cheiro dele - quando o “ele” já se foi e está usando outras camisetas por aí. O melhor que fazemos é deixar que elas realmente possa ir embora, sumir, se dissipar. Por isso, a necessidade de se desapegar das coisas. Por isso, é tão importante (por mais doloroso que seja!) desfazer-se de recordações, mudar a cor da parede, “quebrar” uma decoração e poder colocar uma nova no lugar, ou até mesmo, e radicalmente, mudar de casa, de estado ou de país!

Nosso coração é cheio de coisas. Coisas boas, ruins, recordações, memórias, gestos, cheiros, sentimentos. Algumas dessas “coisas” podem ir, se desprender, sumir. Quando nos desfazemos dessas coisinhas, aquelas que entulham o coração, abrimos espaço para que outras coisas boas tomem o seu lugar.

A mensagem do dia é "se soltar". Desatrelar-se. Deixar irembora. Desprender-se. Podemos viver sem isso ou aquilo, “sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante”. Pense que simplesmente “aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é”.

1 comentário:

Dani Almeida - www.floresdopantano.blogspot.com disse...

Que lindas suas palavras, Déa.

Vieram em um momento mais que oportuno. Tenho pensado muito nisso ultimamente. Uma vontade visceral de fazer diferente, dar início a um novo ciclo, re-escrever minha história. Li isso outro dia e achei o máximo -- "continue sendo como é e terá apenas o que sempre teve (...)".

É isso aí. Mudar exige iniciativa, ousadia e coragem. Nada fácil!

Bjocas.

PS. Acho que de ex-professora, virei sua fã cibernética. Algum link nos uniu e agora estarei sempre aqui, lendo suas palavras inspiradoras!