09 novembro 2008

Tudo neste mundo tem seu tempo

“Tudo neste mundo tem seu tempo; cada coisa tem sua ocasião.” A frase é simples, é direta, é clara. O grande problema é saber aceitar essa afirmação. É saber ouvir, saber esperar, saber perceber o momento exato de cada coisa. E deixá-la acontecer, fluir.

“Há um tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir.”


Somos extremamente imediatistas, e isso, cada dia um pouco mais, por pressão social, por pura pressão psicológica, por egoísmo. Detestamos filas, salas de espera, musiquinha no telefone. Queremos o mundo a nossos pés, aqui e agora. Nada de “espere apenas um minutinho”. Não. Tem que ser pra ontem! – diz a voz do outro lado do fio.


“Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar: tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar.”


Queremos a permanência das coisas, a eternidade dos objetos, das pessoas. Pelo simples medo de poder “esquecê-los”, guardamos objetos durante anos a fio, sem nem mesmo olhá-los, uma vez sequer. E então, quando os vemos é que, de fato, nos lembramos daquilo que tanto não queríamos esquecer.


Acredito que por puro egoísmo, choramos tanto a perda de alguém, a saudade de quem se foi ou de quem já não vemos mais com a mesma freqüência. Medo de aceitar que estamos sozinhos na aventura, sem aquele apoio, sem aquele sorriso, sem aquela presença. Não queremos sentir a ausência, a dor da perda, o temor da solidão.


“Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar.”


Temos medo de começar a agir, de investir tempo, esforço por medo de falhar. Evitamos (ou adiamos) construir, plantar, curar, viver por achar que não chegaremos ao final, que não concluiremos. Não agimos por medo de falhar e pecamos por falta de ação.


“Há tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.”


E todos esses “momentos” da vida nos exigem algo, um esforço, um pensamento, ou até uma não-atitude para existirem. Precisamos romper com a inércia de movimento, com o velho hábito de estar ligado na tomada, a 180 km/hora, fazendo, correndo, gritando, mexendo. Precisamos parar. Desligar a tomada. Ouvir o silêncio e então, poder ouvir nossa voz interior dizer o que devemos (ou não) fazer. E será a partir desse instante que poderemos começar a aceitar um pouco mais o tempo de cada coisa.


As citações fazem parte da Bíblia Sagrada, livro de Eclesiastes 3, 1-8.


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2 comentários:

Wanderly disse...

Dea,
O texto está irretocável e muito apropriado para o momento que estou vivendo.
Parabéns filha! Continue e comece a pensar num livro de crônicas para publicar na sua proxima viagem ao Brasil. Pense nisso e pense sério.
Beijos da Mamy

Marcel Jouhandeau disse...

"L'instant n'a de place qu'étroite entre l'espoir et le regret, et c'est la place de la vie".